“Juntos pela Saúde. Apoie a Ciência”: é este o tema que serve de mote ao Dia Mundial da Saúde de 2026, uma data que se assinala anualmente a 7 de abril. O objetivo da campanha é celebrar “o poder da colaboração científica para proteger a saúde das pessoas, dos animais, das plantas e do planeta”.

Neste âmbito, a desinformação é um obstáculo reconhecido à escala global, por comprometer a confiança na ciência, dificultar a adoção de comportamentos informados e pôr em risco a eficácia de políticas e intervenções de saúde pública. No Dia Mundial da Saúde, o Viral reuniu 5 mitos que continuam a circular apesar de já terem sido desmentidos por especialistas.

Mito n.º 1 – Só usamos 10% do nosso cérebro

O cérebro é um dos órgãos mais complexos e misteriosos do corpo humano. Talvez por isso tenha ganhado força no imaginário popular a ideia de que só usamos 10% do nosso cérebro, uma crença que não tem qualquer fundamento científico.

Tal como se explica no site do Centro de Neurociência Educacional da University College London, “a verdade é que usamos, essencialmente, a totalidade do nosso cérebro o tempo todo (embora nem todos os neurónios estejam a atuar ao mesmo tempo).”

“O advento da ressonância magnética funcional (fMRI) e de outras técnicas de imagiologia cerebral veio comprovar isso mesmo”, sustenta-se no mesmo texto.

A mesma fonte sublinha que, “se já viu imagens de estudos de fMRI, pode parecer que apenas pequenas partes do cérebro estão ativas ao mesmo tempo, mas, na realidade, isso é resultado da forma como os dados são processados”.

Na altura, o neurologista Rui Araújo explicou que a teoria dos 10% “não faz sentido”, e que a sua persistência no imaginário popular poderá ser “uma herança da ficção científica”, assente na ideia apelativa (mas falsa) de que bastaria desbloquear uma parte do cérebro para adquirir capacidades extraordinárias.

O especialista acrescentava que, mesmo durante o sono, diversas estruturas cerebrais permanecem ativas para manter funções vitais, e que o cérebro não funciona por localização isolada, mas sim por redes. Assim sendo, dizia, a ideia de que usamos apenas “um núcleo muito pequenino” do cérebro não tem fundamento.

Mito n.º 2 – Vacina contra a gripe causa gripe

A teoria de que a vacina contra a gripe pode causar a doença é tão persistente que, no final da semana passada, o Ministério da Saúde brasileiro se viu obrigado a desmentir essa ideia, depois de publicações sobre o assunto se terem tornado virais nas redes sociais.

No mesmo sentido, na página dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla inglesa) garante-se que “os vírus presentes na vacina contra a gripe estão mortos (inativados), pelo que não é possível contrair gripe através da vacina”.

Embora a vacina contra a gripe não possa provocar a doença, sublinha a mesma fonte, podem surgir alguns efeitos secundários associados à sua administração, nomeadamente “dor, vermelhidão e/ou inchaço no local da injeção; dor de cabeça; febre; dores musculares; náuseas; fadiga”.

Mito n.º 3 – Deve-se lavar o frango antes de o cozinhar

Quem lava o frango antes de o cozinhar acredita que, desta forma, está a eliminar bactérias presentes na superfície da carne, tornando-a mais segura para consumo. No entanto, os especialistas e as autoridades de saúde e de segurança alimentar desaconselham esta prática.

Por exemplo, no site do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla inglesa), escreve-se que lavar a carne antes de a cozinhar aumenta o risco de “contaminação cruzada”, ou seja, aumenta a probabilidade de as bactérias presentes na carne crua se espalharem para outros alimentos, utensílios e superfícies, contaminando-os.

Como a contaminação cruzada ocorre, sobretudo, quando se manuseia “carne crua, aves, ovos e marisco”, estes alimentos devem ser mantidos longe de outros “já cozinhados”, “frescos”, ou “prontos para consumo”.

Mito n.º 4 – Os produtos naturais são mais seguros do que os medicamentos

Desde os chás aos suplementos, há quem prefira tratar problemas de saúde com produtos naturais por acreditar que têm menos riscos do que os medicamentos. Mas o rótulo “natural” não é sinónimo de mais seguro, tal como se explica, por exemplo, neste texto do Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos EUA (NCCIH, na sigla inglesa).

Em primeiro lugar, assinala também o serviço nacional de saúde britânico (NHS), além de alguns produtos naturais terem efeitos secundários, por si só, também podem interferir com outros medicamentos que a pessoa esteja a tomar, “diminuindo a eficácia do outro medicamento ou fazendo com que este provoque efeitos secundários inesperados”.

Além disso, o abandono de tratamentos convencionais, testados e comprovados e a sua substituição por produtos naturais, sem orientação médica, pode piorar a evolução de certas doenças ou até pôr a vida do doente em risco, especialmente em situações que requerem intervenção médica urgente ou acompanhamento clínico rigoroso.

Mito n.º 5 – A dieta alcalina previne ou cura o cancro

Todos os dias, são promovidas, nas redes sociais, dietas supostamente eficazes na prevenção e/ou na cura do cancro. Uma das mais populares é a dieta alcalina, alicerçada na ideia (errada) de que é possível alterar o pH do organismo através da alimentação, tornando-o mais alcalino e, assim, impedir o desenvolvimento das células cancerígenas.

No entanto, não há evidência científica robusta que comprove esta teoria. Tal como se explica na página da Cancer Research UK, uma revisão sistemática publicada em 2016 concluiu que “não havia evidências suficientes para afirmar que uma dieta alcalina pode prevenir ou curar o cancro”.

Os investigadores “afirmaram também que uma dieta alcalina pode alterar o pH da urina para um valor mais alcalino, mas não o do corpo inteiro”.

De: https://viral.sapo.pt