O Dia Mundial do Dador de Sangue, que se assinala, todos os anos, a 14 de junho, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de realçar a importância da doação regular de sangue. Mas quais são os benefícios concretos da dádiva? Quem é que o dador pode estar a ajudar?
Num esclarecimento enviado ao Viral, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) explica a importância da doação de sangue e refere os principais grupos de doentes que beneficiam diretamente da dádiva.
Quem beneficia da doação de sangue?
O IPST descreve a doação de sangue como “um ato voluntário, altruísta e não remunerado”. Como não é possível fabricar o sangue de forma artificial, “só com este gesto solidário é possível tratar os doentes nos hospitais que precisam de transfusões sanguíneas para viver”.
O processo da dádiva “leva aproximadamente 30 minutos e pode ajudar a salvar até 3 vidas”, sublinha a mesma fonte.
Segundo o IPST, existem “várias as situações em que um doente pode necessitar de receber uma transfusão”. As mais comuns são vítimas de “acidentes graves, doentes oncológicos (com leucemia ou a fazer quimioterapia), recém-nascidos com anemias severas, pessoas com doenças crónicas do sangue (como talassemia) e doentes submetidos a cirurgias complexas ou transplantes”.
Além disso, “o tratamento com componentes sanguíneos assegura o transporte de oxigénio, estanca hemorragias graves, repõe o sistema de coagulação e fornece defesas imunitárias essenciais para doentes com o sistema imunitário deprimido”.
A dádiva também tem benefícios para o dador. Segundo o IPST, “dar sangue é um hábito de vida saudável” e fazê-lo com regularidade “permite uma monitorização de vários parâmetros de saúde, nomeadamente os níveis de hemoglobina” (uma proteína presente nos glóbulos vermelhos responsável por transportar oxigénio dos pulmões para o resto do corpo).
Reservas de sangue O positivo e O negativo estão “abaixo do desejável”
“Com a chegada do mês de junho, com os feriados e férias, há uma redução do número de dadores e dádivas, uma vez que as pessoas se ausentam da sua área de residência”, explica o IPST.
As reservas são monitorizadas a nível nacional de forma permanente e o IPST tem divulgado, nas redes sociais, que as reservas dos grupos sanguíneos O positivo (O+) e O negativo (O-) estão abaixo do desejável.
Estes tipos de sangue “são vitais para as situações mais urgentes”, já que o O- é o “dador universal”, ou seja, pode dar a todos os outros grupos, e o O+ é “compatível com todos os outros grupos positivos”.
Para se candidatar à dádiva de sangue, “deve dirigir-se a uma sessão de colheita ou serviço de colheita de sangue”, refere-se num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24). Pode consultar os locais disponíveis em dador.pt.
Quando chegar a um dos locais de colheita, tem de “apresentar um documento de identificação com fotografia” e “preencher um questionário”.
Depois, “será avaliado por um profissional de saúde qualificado que determinará a sua elegibilidade para a dádiva de sangue, através de uma avaliação clínica e exame físico (como determinação do seu peso, altura, hemoglobina e tensão arterial)”.
Segundo o IPST, “a dádiva de sangue não tem contraindicações para um adulto saudável”. Num texto publicado no site do instituto, refere-se que, para doar sangue, deve ter entre 18 e 70 anos (“pessoas candidatas com 17 anos podem fazê-lo mediante consentimento dos pais ou tutor legal”), ter (pelo menos) 50 kg e hábitos de vida saudáveis.
Existem algumas circunstâncias clínicas que impedem – de forma temporária ou permanente – a dádiva de sangue (saiba quais aqui). “Se não forem identificadas situações que possam pôr em causa a sua segurança, enquanto dador, e a segurança do recetor, enquanto doente, poderá dar sangue”, salienta-se no mesmo texto.
