Há três programas nacionais, cada um com a sua idade de início e a sua periodicidade. Num deles, a cobertura não chega a um terço da população elegível.
O Serviço Nacional de Saúde tem três programas de rastreio oncológico de base populacional. Cada um tem a sua faixa etária e a sua periodicidade, e todos funcionam por convite: a pessoa elegível é contactada. O problema é que nem todos os convites chegam, e nem todos os que chegam têm resposta.
Cancro da mama
O rastreio assenta na realização de mamografia de dois em dois anos, dos 45 aos 74 anos de idade.
É o programa mais consolidado dos três. A taxa de cobertura foi superior a 90% em 2024.
Cancro do colo do útero
O programa foi alterado em 2024 e passou a abranger todas as pessoas com colo do útero elegíveis entre os 30 e os 69 anos, inclusive.
Pode ainda abranger a faixa dos 25 aos 29 anos, desde que existam condições associadas a alto risco.
A cobertura ficou nos 61% em 2024, dois pontos percentuais acima do ano anterior, mas ainda abaixo dos 64% de 2022.
Cancro do cólon e do reto
Faz-se com pesquisa de sangue oculto nas fezes, dos 50 aos 74 anos, com periodicidade de dois em dois anos.
É o programa com pior desempenho: a cobertura populacional ficou-se pelos 32,5% em 2024, longe da meta definida.
Porque é que este é o que menos adesão tem
Não é difícil de perceber. O teste implica manipular uma amostra de fezes em casa, o que gera desconforto e adiamento, e a maioria das pessoas não associa o cólon a um órgão que exija vigilância.
É uma pena, porque este é dos rastreios com melhor relação entre esforço e benefício. Um teste positivo leva a colonoscopia, e a colonoscopia permite remover lesões antes de se tornarem cancro. Não é só deteção precoce, é prevenção.
Vale ainda desfazer um receio comum: um resultado positivo na pesquisa de sangue oculto não significa cancro. Significa que foi detetado sangue na amostra, o que pode ter causas benignas, das hemorroidas a pequenos pólipos. O que o resultado desencadeia é a investigação, não um diagnóstico.
Não recebeu o convite?
A ausência de convite não significa que não seja elegível. As listas assentam nos registos das unidades de saúde e há falhas de contacto, sobretudo em quem mudou de morada ou de unidade.
Se está dentro da faixa etária e não foi contactado, vale a pena perguntar na sua unidade de saúde familiar. É uma pergunta que demora um minuto e que pode não ter sido feita durante anos.
Rastreio não é o mesmo que sintoma
Uma distinção que importa e que se perde com frequência. O rastreio destina-se a pessoas sem sintomas. Serve para procurar doença em quem se sente bem.
Quem tem sintomas não está em situação de rastreio, está em situação de diagnóstico, e o caminho é outro: consulta, e não espera pela carta do programa.
Sangue nas fezes, alteração persistente do trânsito intestinal, um nódulo na mama, perdas de sangue fora do período ou depois da menopausa são motivos para marcar consulta, independentemente da idade e de já ter feito rastreio recentemente. Mais informação sobre os programas em SNS 24.
