Verão após verão, o país enfrenta o mesmo cenário: calor intenso e risco elevado de incêndio. Os dados de um relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) revelam que, entre 1 de janeiro e 15 de julho, registaram-se mais 1816 fogos e quase mais 20 mil hectares de área ardida do que no mesmo período do ano passado. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), neste momento, o perigo de incêndio varia entre “elevado” e “máximo” em quase todo o continente. O que fazer quando há fogo próximo? Quais os efeitos do fumo dos incêndios na saúde?
Como agir quando há fogo próximo?
Perante um incêndio, é essencial evitar ao máximo a exposição ao fumo. Se vive numa zona com risco elevado, é particularmente importante adotar medidas preventivas para uma situação de fogo próximo.
Nas recomendações relativas à exposição ao fumo de incêndios, publicadas no site do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – e republicadas recentemente no site da Unidade Local de Saúde (ULS) Oeste – aconselha-se as pessoas que vivem perto de zonas onde estão a decorrer incêndios a “evitar exposição ao fumo, mantendo-se dentro de casa, com janelas e portas fechadas, em ambiente fresco”.
Se a casa tiver ar condicionado, deve-se ligar o aparelho, sempre que possível, “no modo de recirculação de ar”, sublinha-se.
Além disso, é importante ter “alguns produtos em stock, para evitar saídas ao exterior desnecessárias”, como “alimentos que não precisem de refrigeração”.
No site do SNS 24 recomenda-se ainda que as pessoas que vivem em zonas de risco definam “um plano de evacuação em caso de agravamento da situação” e que o partilhem com as pessoas com quem vivem.
Aconselha-se, também, “evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa, tais como, aparelhos a gás ou lenha, tabaco, velas e incenso”, bem como “evitar atividades no exterior”.
Pessoas especialmente vulneráveis neste contexto, como doentes com asma e doença pulmonar obstrutiva crónica, devem “manter a medicação habitual” e “seguir as indicações do médico” perante o eventual agravamento das queixas.
Sempre que a exposição ao fumo for inevitável, recomenda-se a utilização de máscaras de proteção N95.
Se alguém inalar fumo de um incêndio é essencial agir de imediato. Em primeiro lugar, deve-se “retirar a pessoa do local e evitar que respire o fumo ou esteja exposta ao calor”, refere-se nas recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS), publicadas no site da ULS Oeste.
Depois, deve-se procurar por sinais de alarme, como a “presença de queimaduras faciais”, “sinais de dificuldade respiratória” e “alteração do estado de consciência”.
Caso precise de mais informações gerais, deve ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) e se necessitar de esclarecimentos em contexto de intoxicação, deve ligar para o CIAV – Centro de Informação Antivenenos (800 250 250). Em caso de emergência, o número a contactar é o do INEM (112).
Quais os efeitos do fumo dos incêndios na saúde?
Segundo um texto da Organização Mundial da Saúde (OMS), “o fumo dos incêndios florestais é uma mistura de poluentes atmosféricos, dos quais as partículas em suspensão (PM) constituem a principal ameaça à saúde pública”.
Os riscos da exposição ao fumo dependem de vários fatores, “como o nível e a duração da exposição, a idade da pessoa e a suscetibilidade individual”, sublinha-se no site do SNS 24.
De modo geral, “a exposição e inalação do fumo de incêndios florestais pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas e oftalmológicas”.
Estas alterações podem ocorrer por duas vias: “devido ao calor (queimaduras) ou à irritação/toxicidade causada pelos componentes químicos do fumo” (ver também aqui)
Podem traduzir-se em “irritação dos olhos, do nariz e da garganta”, “aumento das secreções/expetoração”, “tosse persistente” e “inflamação e estreitamento das vias respiratórias (edema)”.
A inalação do fumo também pode causar “doenças respiratórias, como a bronquite” e agravar “doenças do coração e respiratórias”.
Pode, ainda, provocar “alterações do estado de consciência (fraqueza, sonolência, desmaio)” e, em casos extremos, “pode afetar os níveis de oxigénio no sangue e causar insuficiência respiratória”, acrescenta-se no texto do SNS 24.
