Apenas 21% reconhece sinais como suor excessivo, falta de ar, mal-estar geral ou ligeira dor de cabeça, manifestações que podem surgir sobretudo nas mulheres.
Portugueses continuam sem reconhecer sinais menos conhecidos de enfarte, revela estudo
A maioria dos portugueses sabe identificar os sintomas clássicos de um enfarte agudo do miocárdio, mas continua a ter dificuldade em reconhecer sinais menos típicos, especialmente os mais frequentes nas mulheres. A conclusão surge num novo estudo divulgado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), no âmbito do “Mês do Coração”, assinalado durante maio.
O estudo “O Enfarte Agudo do Miocárdio e o AVC”, realizado pela GfK Metris em abril de 2026, analisou o conhecimento de 600 portugueses entre os 40 e os 54 anos sobre enfarte e acidente vascular cerebral.
Dor no peito continua a ser o sintoma mais reconhecido
Segundo os resultados, 76% dos inquiridos associa corretamente o enfarte à dor no peito com irradiação para o braço, pescoço, costas ou estômago. Já o desconforto súbito e persistente no peito é reconhecido por 47% das pessoas.
No entanto, sintomas menos específicos continuam pouco identificados. Apenas 21% reconhece sinais como suor excessivo, falta de ar, mal-estar geral ou ligeira dor de cabeça, manifestações que podem surgir sobretudo nas mulheres.
A Fundação Portuguesa de Cardiologia alerta que esta falta de reconhecimento pode atrasar o pedido de ajuda e comprometer o tratamento atempado.
A maioria sabe que deve ligar para o 112
Perante um possível enfarte, 96% dos participantes refere corretamente que deve contactar o 112. Ainda assim, outras medidas importantes continuam pouco conhecidas.
Menos de 20% identifica ações como parar imediatamente a atividade física, sentar-se e tentar reduzir o esforço cardíaco enquanto aguarda assistência médica.
Hipertensão e colesterol são os fatores de risco mais conhecidos
O estudo mostra também que a maioria dos portugueses reconhece alguns dos principais fatores de risco cardiovasculares.
- 91% identifica a hipertensão arterial
- 91% reconhece o colesterol elevado
- 78% aponta o tabagismo
- 76% refere antecedentes familiares
Já a diabetes surge menos associada ao risco de enfarte, sendo identificada por apenas 45% dos inquiridos.
Outro dado preocupante prende-se com a prevenção secundária. Apenas 14% sabe que pessoas que já sofreram um evento cardiovascular devem manter o colesterol LDL abaixo dos 55 mg/dL para reduzir o risco de um novo enfarte.
Sinais de AVC são mais facilmente identificados
Relativamente ao acidente vascular cerebral, a maioria dos participantes reconhece sintomas como:
- Perda de força num braço ou perna
- Desvio da boca
- Dificuldade em falar ou discurso incoerente
A maioria sabe também que deve ligar imediatamente para o 112.
Quanto aos fatores de risco para AVC, os mais reconhecidos são hipertensão arterial, tabagismo e história familiar. Em contrapartida, menos pessoas identificam condições como fibrilação auricular ou apneia do sono.
Muitas mortes podem ser evitadas
A Fundação Portuguesa de Cardiologia lembra que as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ter forte impacto na mortalidade em Portugal. Segundo a instituição, 19% dos óbitos em homens entre os 40 e os 55 anos têm origem cérebro-cardiovascular.
A boa notícia é que cerca de 80% das mortes precoces por estas doenças, antes dos 70 anos, podem ser evitadas através do controlo dos principais fatores de risco.
Entre as medidas mais importantes estão:
- Controlar a tensão arterial e o colesterol
- Deixar de fumar
- Praticar exercício físico regularmente
- Manter um peso saudável
- Adotar uma alimentação equilibrada
Mês do Coração arranca em maio
Os resultados oficiais do estudo serão apresentados no dia 7 de maio, no Centro de Informação Urbana de Lisboa, numa sessão que marca o arranque das iniciativas do “Mês do Coração”.
A Fundação Portuguesa de Cardiologia irá também apresentar a nova campanha de sensibilização e o programa de atividades previsto para este mês dedicado à promoção da saúde cardiovascular em Portugal.
