Na maioria dos casos, o glaucoma desenvolve-se de forma lenta e sem sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas só procurem ajuda médica quando a perda de visão já é acentuada.

Todos os anos, em março, assinala-se a Semana Mundial do Glaucoma, uma iniciativa que procura alertar a população e os decisores para a existência desta doença dos olhos, bem como para o impacto profundo que produz na qualidade de vida dos doentes.

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo, estimando-se que afete cerca de 80 milhões de pessoas, muitas delas sem o saber. Por ser uma doença crónica e progressiva, muitas vezes sem sintomas nas fases iniciais, coloca desafios enormes ao diagnóstico precoce.

É por isso frequentemente descrito como o “ladrão silencioso da visão”. A designação não é exagerada. Na maioria dos casos, o glaucoma desenvolve-se de forma lenta e sem sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas só procurem ajuda médica quando a perda de visão já é acentuada. Este atraso no diagnóstico é crítico, pois a visão perdida devido ao glaucoma já não pode ser recuperada.

Esta é precisamente a razão pela qual o diagnóstico precoce é tão importante. Quando identificado a tempo, o glaucoma pode ser controlado, permitindo travar a progressão da doença e preservar a visão ao longo do tempo.

A propósito da Semana Mundial do Glaucoma, que este ano se celebra de 9 a 15 de março, importa recordar alguns dos principais fatores de risco e sinais de alarme associados a esta doença.

Um dos fatores de risco mais importantes é o histórico familiar: ter familiares diretos com glaucoma aumenta significativamente a probabilidade de vir a desenvolvê-lo. A idade é outro fator a ter em conta, uma vez que a incidência aumenta progressivamente a partir dos 40 ou 50 anos. Um fator decisivo é também a pressão intraocular elevada, que pode ser detetada numa simples consulta de Oftalmologia.

Nas fases mais avançadas da doença podem surgir alterações na visão, como a perda gradual da visão periférica, muitas vezes descrita pelos doentes como uma sensação de “visão em túnel”. No entanto, esperar por estes sinais não é aconselhável, precisamente porque a doença pode evoluir durante anos sem dar sintomas evidentes.

Embora o glaucoma exija um acompanhamento para a vida, é hoje possível estabelecer um diagnóstico definitivo através de exames regulares. Entre eles estão a tonometria (medição da pressão intraocular), a campimetria (avaliação do campo visual) e a análise do nervo óptico. Estes exames permitem definir a estratégia terapêutica mais adequada, que pode incluir colírios, tratamentos a laser ou cirurgia.

A preservação da visão e a manutenção da autonomia dependem, em grande medida, de um diagnóstico precoce. Por isso, realizar consultas regulares de Oftalmologia é fundamental. Em muitos casos, um simples exame de rotina pode fazer toda a diferença.

No glaucoma, agir apenas quando surgem sinais evidentes pode ser demasiado tarde. Não espere pelos sintomas: a prevenção é a sua melhor visão.

Médico Oftalmologista na UOC – Unidade de Oftalmologia de Coimbra

Por: Jorge Simão

De: https://sapo.pt