O ator Eric Dane, que tinha sido diagnosticado, no ano passado, com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa rara e sem cura, morreu esta quinta-feira. A morte do ator, mais conhecido por interpretar o cirurgião plástico Mark Sloan na série “Anatomia de Grey” e por participar na série “Euphoria”, foi confirmada pela família, num comunicado enviado à revista People.

“Ele passou os seus últimos dias rodeado de amigos queridos, da sua dedicada esposa e das suas duas lindas filhas, Billie e Georgia, que eram o centro do seu mundo”, lê-se.

Segundo a família do ator, “ao longo da sua jornada com ELA, Eric tornou-se um fervoroso defensor da consciencialização e da investigação, determinado a fazer a diferença para outras pessoas que enfrentam a mesma luta”.

Mas o que é a ELA? Quais os sintomas? Existe tratamento? Neste artigo do Viral, respondemos a cinco perguntas sobre a doença.

O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica?

A esclerose lateral amiotrófica é uma “doença neurológica degenerativa, progressiva e rara, sendo a forma mais frequente de doença do neurónio motor (DNM)”, lê-se no site da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA).

Segundo um texto do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e AVC (NINDS) dos Estados Unidos, esta doença “afeta os neurónios motores”, ou seja, “as células nervosas do cérebro e da medula espinhal que controlam o movimento voluntário dos músculos e a respiração”.

À medida que os neurónios motores morrem, “deixam de enviar mensagens para os músculos, o que faz com que estes enfraqueçam, comecem a contrair-se” e “a definhar (atrofiar)”, lê-se no mesmo texto.

De forma progressiva, o cérebro de um doente com ELA “perde a sua capacidade de iniciar e controlar os movimentos voluntários, como andar, falar, mastigar e outras funções, bem como respirar”.

Quais os sintomas da doença?

No site da APELA explica-se que, quando uma pessoa tem ELA, os músculos que controlam o movimento do corpo “vão gradualmente enfraquecendo e cansando-se” mais rápido, podendo, também, “ocorrer atrofia muscular”.

Por esse motivo, “muitas vezes, os doentes relatam pequenas contrações musculares involuntárias (fasciculações), fadiga e cãibras”, adianta-se.

Importa salientar que “qualquer músculo envolvido em ações voluntárias pode ser afetado”, ou seja, podem estar em causa “movimentos dos membros inferiores, membros superiores, controlo da postura do tronco e pescoço, bem como funções como falar, deglutir/mastigar e respirar (incluindo tossir e espirrar), que podem ser comprometidas”.

gravidade destas limitações “varia com o número de funções afetadas e os segmentos corporais envolvidos, tornando a doença heterogénea entre os indivíduos”, sublinha-se.

É comum os doentes relatarem “quedas inexplicáveis, mãos ou pés trémulos, fasciculações, perda de força, voz arrastada ou rouquidão, engasgos frequentes com alimentos normais (por exemplo, água), fadiga e falta de ar quando deitados, entre outros”.

Por outro lado, realça-se, “músculos de controlo involuntário, como o coração, ou músculos lisos (por exemplo, nos órgãos internos), geralmente não são afetados numa fase inicial”.

Quem corre maior risco?

Segundo o site da associação norte-americana da esclerose lateral amiotrófica (ALS Association), “a maioria das pessoas que desenvolvem ELA tem entre 40 e 70 anos, com uma média de 55 anos na altura do diagnóstico”, mas “há casos da doença que ocorrem em pessoas com vinte e trinta anos”.

Apesar de ser uma doença “20% mais comum nos homens do que nas mulheres”, com o aumento da idade, essa diferença diminui.

Sabe-se, ainda, que “cerca de 90% dos casos de ELA ocorrem sem qualquer história familiar ou causa genética conhecida”, sublinha a ALS Association.

Os restantes casos “são herdados através de um gene mutante com uma ligação conhecida à doença”.

Além disso, as pessoas que prestaram serviço militar parecem ter maior probabilidade de serem diagnosticadas com a doença. Num texto do MedlinePlus (um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos), refere-se que as razões por detrás destes casos “não são claras, mas podem estar relacionadas com a exposição ambiental a toxinas”.

Como se trata a ELA?

Até à data, não existe tratamento para reverter os danos causados pela ELA ou para curar a doença.

Assim, explica-se num texto informativo da Universidade de Johns Hopkins, para a maioria das pessoas com ELA, o tratamento incide sob o controlo dos sintomas.

“Isto pode incluir terapias físicas, ocupacionais, da fala, respiratórias e nutricionais”, refere-se no mesmo texto.

Existem ainda medicamentos que “podem melhorar a sobrevivência a curto prazo ou abrandar o declínio físico em pessoas com ELA”.

Também “alguns medicamentos e a terapia com calor ou hidromassagem podem ajudar a aliviar as cãibras musculares”, acrescenta-se.

Além disso, o exercício físico pode ser útil neste contexto. “Com moderação, pode ajudar a manter a força e a função muscular”, sublinha-se.

Qual a esperança média de vida de um doente com ELA?

No texto do MedlinePlus refere-se que é frequente os doentes com ELA morrerem “3 a 5 anos após o diagnóstico”. Contudo, “1 em cada 4 pessoas sobrevive mais de 5 anos após o diagnóstico”.

Algumas pessoas chegam a viver durante mais de uma década, “mas, normalmente, precisam de ajuda para respirar”, através de “um ventilador ou outro dispositivo”.

Em causa está o facto de o dano dos músculos respiratórios “levar à insuficiência respiratória, a principal causa de morte” em doentes com ELA, sublinha-se no site da APELA.

De: https://viral.sapo.pt